
O filme é Matrix (1999), de Andy e Larry Wachowski, e retoma uma problemática característica das relações entre homem e máquina na história - o conflito.
O cenário é aterrador: as máquinas inteligentes (AI) tomam o controle do mundo e, para sobreviver, começam a se utilizar da energia vital humana, pois sua fonte de energia fora inviabilizada depois que os homens detonaram seu arsenal atômico na tentativa de bloquear a matriz energética das máquinas - o Sol.
A partir de então as máquinas começam a "cultivar" os homens em cápsulas, para deles extrair energia - estes se transformam em baterias, em objetos que garantem a sobrevivência desse "Frankenstein" moderno.
Com todas as ressalvas necessárias, pois se trata de uma obra ficcional, que relações poderíamos construir entre o universo da ficção retratada no filme e o nosso universo atual, permeado por essas relações conflituosas entre homens/homens e homens/máquinas, ampliando essas discussões para a prática pedagógica dos professores em seus espaços educacionais? Afinal de contas a tecnologia ajuda ou prejudica o processo de ensino-aprendizagem efetivado em sala? Seriam as novas tecnologias informacionais e comunicacionais a panacéia para a solvência dos problemas enfrentados pela educação?
As respostas para estas e outras perguntas que possam surgir no decorrer deste debate devem servir como norte orientador e mediador das possíveis relações a serem travadas entre homem, tecnologia e educação no mundo atual.
Um bom começo seria explicar como entendemos cada elemento constitutivo da problemática que ora se apresenta: homem, tecnologia e educação; vislumbrando como estes interagem dialeticamente em cada etapa no processo de desenvolvimento histórico.
Para nós o homem é um sujeito social e histórico possuidor de uma dupla natureza (natural e social), que impelido pela necessidade de reprodução da sua existência material e objetiva, constrói, através do trabalho, relações com a natureza e com outros homens, dos quais depende para sua sobrevivência. Tais relações configuram-se de forma específica em cada etapa do processo de desenvolvimento produtivo; logo essas relações - que são históricas e por isso mesmo mutáveis - condicionam toda uma superestrutura política, ideológica e cultural, que, dialeticamente, também influem na forma dos arranjos produtivos dos homens em sociedade. Dessa forma, imerso nas relações sociais do qual faz parte, o homem desenvolve certos instrumentos e técnicas que, agindo sobre a matéria, potencializam e revolucionam o processo produtivo. Nesse sentido podemos entender a tecnologia como os "arranjos materiais e sociais que envolvem processos físicos e organizacionais, referidos ao conhecimento científico aplicável. [...] as tecnologias são produtos da ação humana, historicamente construídos, expressando relações sociais das quais dependem, mas que também são influenciadas por eles" (OLIVEIRA, 2001, p. 101).
Neste cenário a educação funciona como mecanismo de socialização de conhecimentos que permite aos homens não partirem infinitamente do ponto de partida do desenvolvimento produtivo, num processo cumalitivo de experiências e saberes necessários, com os quais nos distanciamos cada vez mais da nossa natureza natural - geneticamente determinada - e nos aproximamos de nossa natureza humana e/ou social. A educação, inserida no palco das relações produtivas, também é condiciona por essas mesmas relações, reproduzindo-as ou transformando-as, visto que, dialeticamente, também pode funcionar como mecanismo de ruptura com o status quo existente.
Dessa forma analisar as relações entre tecnologia e educação é, antes de tudo, analisar o contexto histórico em que emergem tais relações, fruto dos imperativos produtivos de cada época específica do desenvolvimento humano.
Assim deslocamos o eixo do nosso debate para uma época e lugar específico, qual seja: a sociedade capitalista atual. As respostas para as questões que iniciaram esse diálogo conduzem à reflexões que objetivam uma realidade singular, que se (re)produz a partir de contradições características deste tipo de sociedade, sendo a mais importante delas a contradição entre capital e trabalho. Tal contradição origina uma sociedade desigual, injusta, antidemocrática e excludente, alicerçada na alienação do trabalho e do trabalhador, na separação entre produtores e consumidores, entre teoria e prática, entre trabalho manual e intelectual, dentre outras formas de exclusão operadas por tais relações.
Desse modo, tanto a tecnologia, como de resto todos os "artefatos sociais e culturais [produzidos pelos homens], [...] carregam consigo relações de poder, intenções e interesses diversos" (Idem, p. 102), e estão inseridas num contexto de lutas - ocasionadas pelos interesses conflitantes na sociedade - que comportam rupturas e continuidades.
Tentando de toda forma a sua perpetuação como classe hegemônica política e economicamente, a burguesia lança mãos dos mais diversos instrumentos - sejam eles repressores ou ideológicos - na tentativa de camuflar as tensões agudas que colocam em lados opostos produtores e exploradores dos bens produzidos coletivamente. Neste aspecto a educação tem servido , preponderantemente, como mecanismo de reprodução dos valores e dos interesses da classe burguesa, escamoteando o conflito e fazendo aparecer a falsa ideia de harmonia social.
Tanto a educação quanto a tecnologia, nesse contexto dualizado, tem servido não como instrumentos de luta revolucionária contra as injustiças e desigualdades, mas de mecanismos para sua manutenção e perpetuação, potencializando ainda mais intensamente, a exploração e a exclusão dos trabalhadores. Essa é a lógica que tem se sobreposto às tentativas mais progressistas de socialização dos bens produzidos pelo conjunto da humanidade, principalmente a partir da crise do welfare state e do revigoramento do neoliberalismo. A fraseologia da sociedade do conhecimento, ensejando novas forma de sociabilidade e de formação para o "novo" trabalhador, incorporadas cada vez mais intensamente pelos Estados a partir da assim chamada III Revolução Industrial (SAVIANI, 2005), tem potencializado a precarização do trabalho e a redução do seu conteúdo, inserindo o trabalhador no mundo do não-trabalho através de uma lógica invertida e pervertida; segundo SCHWARS (apud FRIGOTTO, 1999, p. 78) "o capital começa a perder a faculdade de explorar trabalho".
Isto posto, reduz-se a ambragência da utilização da tecnologia em nossa época, marcada por todas essas tensões, assim como sua incorporação no processo educativo, visto que, segundo a lógica capitalista, cada vez mais, educação e tecnologia, vem servindo de instrumentos para maximização do lucro e exploração do trabalho e consequente alienação do trabalhador.
O cenário é aterrador: as máquinas inteligentes (AI) tomam o controle do mundo e, para sobreviver, começam a se utilizar da energia vital humana, pois sua fonte de energia fora inviabilizada depois que os homens detonaram seu arsenal atômico na tentativa de bloquear a matriz energética das máquinas - o Sol.
A partir de então as máquinas começam a "cultivar" os homens em cápsulas, para deles extrair energia - estes se transformam em baterias, em objetos que garantem a sobrevivência desse "Frankenstein" moderno.
Com todas as ressalvas necessárias, pois se trata de uma obra ficcional, que relações poderíamos construir entre o universo da ficção retratada no filme e o nosso universo atual, permeado por essas relações conflituosas entre homens/homens e homens/máquinas, ampliando essas discussões para a prática pedagógica dos professores em seus espaços educacionais? Afinal de contas a tecnologia ajuda ou prejudica o processo de ensino-aprendizagem efetivado em sala? Seriam as novas tecnologias informacionais e comunicacionais a panacéia para a solvência dos problemas enfrentados pela educação?
As respostas para estas e outras perguntas que possam surgir no decorrer deste debate devem servir como norte orientador e mediador das possíveis relações a serem travadas entre homem, tecnologia e educação no mundo atual.
Um bom começo seria explicar como entendemos cada elemento constitutivo da problemática que ora se apresenta: homem, tecnologia e educação; vislumbrando como estes interagem dialeticamente em cada etapa no processo de desenvolvimento histórico.
Para nós o homem é um sujeito social e histórico possuidor de uma dupla natureza (natural e social), que impelido pela necessidade de reprodução da sua existência material e objetiva, constrói, através do trabalho, relações com a natureza e com outros homens, dos quais depende para sua sobrevivência. Tais relações configuram-se de forma específica em cada etapa do processo de desenvolvimento produtivo; logo essas relações - que são históricas e por isso mesmo mutáveis - condicionam toda uma superestrutura política, ideológica e cultural, que, dialeticamente, também influem na forma dos arranjos produtivos dos homens em sociedade. Dessa forma, imerso nas relações sociais do qual faz parte, o homem desenvolve certos instrumentos e técnicas que, agindo sobre a matéria, potencializam e revolucionam o processo produtivo. Nesse sentido podemos entender a tecnologia como os "arranjos materiais e sociais que envolvem processos físicos e organizacionais, referidos ao conhecimento científico aplicável. [...] as tecnologias são produtos da ação humana, historicamente construídos, expressando relações sociais das quais dependem, mas que também são influenciadas por eles" (OLIVEIRA, 2001, p. 101).
Neste cenário a educação funciona como mecanismo de socialização de conhecimentos que permite aos homens não partirem infinitamente do ponto de partida do desenvolvimento produtivo, num processo cumalitivo de experiências e saberes necessários, com os quais nos distanciamos cada vez mais da nossa natureza natural - geneticamente determinada - e nos aproximamos de nossa natureza humana e/ou social. A educação, inserida no palco das relações produtivas, também é condiciona por essas mesmas relações, reproduzindo-as ou transformando-as, visto que, dialeticamente, também pode funcionar como mecanismo de ruptura com o status quo existente.
Dessa forma analisar as relações entre tecnologia e educação é, antes de tudo, analisar o contexto histórico em que emergem tais relações, fruto dos imperativos produtivos de cada época específica do desenvolvimento humano.
Assim deslocamos o eixo do nosso debate para uma época e lugar específico, qual seja: a sociedade capitalista atual. As respostas para as questões que iniciaram esse diálogo conduzem à reflexões que objetivam uma realidade singular, que se (re)produz a partir de contradições características deste tipo de sociedade, sendo a mais importante delas a contradição entre capital e trabalho. Tal contradição origina uma sociedade desigual, injusta, antidemocrática e excludente, alicerçada na alienação do trabalho e do trabalhador, na separação entre produtores e consumidores, entre teoria e prática, entre trabalho manual e intelectual, dentre outras formas de exclusão operadas por tais relações.
Desse modo, tanto a tecnologia, como de resto todos os "artefatos sociais e culturais [produzidos pelos homens], [...] carregam consigo relações de poder, intenções e interesses diversos" (Idem, p. 102), e estão inseridas num contexto de lutas - ocasionadas pelos interesses conflitantes na sociedade - que comportam rupturas e continuidades.
Tentando de toda forma a sua perpetuação como classe hegemônica política e economicamente, a burguesia lança mãos dos mais diversos instrumentos - sejam eles repressores ou ideológicos - na tentativa de camuflar as tensões agudas que colocam em lados opostos produtores e exploradores dos bens produzidos coletivamente. Neste aspecto a educação tem servido , preponderantemente, como mecanismo de reprodução dos valores e dos interesses da classe burguesa, escamoteando o conflito e fazendo aparecer a falsa ideia de harmonia social.
Tanto a educação quanto a tecnologia, nesse contexto dualizado, tem servido não como instrumentos de luta revolucionária contra as injustiças e desigualdades, mas de mecanismos para sua manutenção e perpetuação, potencializando ainda mais intensamente, a exploração e a exclusão dos trabalhadores. Essa é a lógica que tem se sobreposto às tentativas mais progressistas de socialização dos bens produzidos pelo conjunto da humanidade, principalmente a partir da crise do welfare state e do revigoramento do neoliberalismo. A fraseologia da sociedade do conhecimento, ensejando novas forma de sociabilidade e de formação para o "novo" trabalhador, incorporadas cada vez mais intensamente pelos Estados a partir da assim chamada III Revolução Industrial (SAVIANI, 2005), tem potencializado a precarização do trabalho e a redução do seu conteúdo, inserindo o trabalhador no mundo do não-trabalho através de uma lógica invertida e pervertida; segundo SCHWARS (apud FRIGOTTO, 1999, p. 78) "o capital começa a perder a faculdade de explorar trabalho".
Isto posto, reduz-se a ambragência da utilização da tecnologia em nossa época, marcada por todas essas tensões, assim como sua incorporação no processo educativo, visto que, segundo a lógica capitalista, cada vez mais, educação e tecnologia, vem servindo de instrumentos para maximização do lucro e exploração do trabalho e consequente alienação do trabalhador.
Verificamos que a sociedade ao passar do tempo teve uma grande influência sobre o ser humano e no caso do filme matrix cogita-se uma possível inteligência artificial, com isso a tecnologia veio para aprimorar o desenvolvimento das condições tecnológicas fazendo com que isso traga lucro e cada vez mais se configure o capitalismo que é gerar lucro e propriedade privada, com isso o trabalhador acaba ficando alienado por uma educação homeopática e sendo explorado cada vez mais (Walbert Anderson e Fabio Costa)
ResponderExcluirJULIANA MACIEL E ELOISA MOTA.
ResponderExcluirA relaçao entre a educaçao e tecnologia esta diretamente ligada com o contexto historico de cada epoca. Oque podemos observar é que historicamente a educaçao e a tecnologia estao diretamente ligadas com intençoes e interesses daqueles que detinham o poder. É interessante quando o autor coloca que a burguesia lança maos dos mais diversos instrumentos- sejam eles repressores ou ideologicos - na tentativa de camuflar as intençoes agudas que colocam em lados opostos produtores e exploradores dos bens produzidos coletivamente. Concordamos quando diz que a educaçao tem servido como mecanismo de reproduçao dos valores e dos interesses da classe burguesa , que esta transformando a educaçao em mercadoria. O que reforça a ideia do autor de que tanto a educaçao quanto a tecnologia tem servido nao como instrumentos de luta revolucionario contra as injustiças e desigualdades , mas de mecanismo para sua manutençao e perpetuaçao, potencializando ainda mais intensamente a exploraçsao e a exclusao dos trabalhadores.É importante refletirmos mais sobre esse tema que alem de interessante reforça nossa luta por uma sociedade mais justa e igualitaria.
A sociedade atual vive em um sistema criado pelo mundo capitalista, esse por sua vez impõe ao individuo situações fortalecedoras de anulação da sua personalidade. Assim, usando da educação, tecnologia e até atitudes repressoras, os burgueses mantêm o seu monopólio. Cobrindo a atual pobreza no trabalho e da sociedade, com suas injustiças e desigualdades, com apenas a finalidade de lucro.
ResponderExcluirSilvia Cantanhede; Márcia Ribeiro e Francisca
Instituto Florence
ResponderExcluirPós-Graduação
Alunos :
Sidney Jorge M.S.Júnior
Maria Do Socorro Soares de Azevedo
Gina Maria Lima Malta
Maria de Jesus O.Souza
Concordamos , pois em algum momento histórico , o homem mediante o avanço tecnológico quase perdeu sua essencia e com isso a necessidade de buscar cada vez mais , já que sempre foi e será necessário analisarmos como sendo um ser social , não levando em conta se ,se relaciona através de máquinas ou não ; O importane é sempre usar a tecnologia com fins inclusivos e fortificar as relações sociais necessárias ao conteúdo da educação . E que esse seja sempre usado com fins transformadores .
Achamos muito pertinente o pequeno relato do texto que diz:"cada vez mais, educação e tecnologia, vem servindo de instrumentos para maximização do lucro e exploração do trabalho e consequente alienação do trabalhador".A tecnologia quando não bem empregada aliena as pessoas, pois as mesmas, acabam utilizando as informações não como complementos e sim como trabalhos prontos, não se preocupando em aprofundar o conteúdo,acabando plagiando informações e não contribuindo para a sua própria evolução, fazendo com a que a alienação tome conta.(Dayse;Rossana;Roberto Júnior;Valdiner Alencar; Expedito Sales)
ResponderExcluirO homem não é apenas um criador da tecnologia
ResponderExcluirSe todos nós usamos a tecnologia no dia-dia então ficamos dependentes dessa máquina. Mas será isso bom? será que perdemos nossa identidade nos deixando levar?
Com todo conhecimento adquirido com base na tecnologia, assim o homem será entendido no seu contínuo esforço para se chegar a perfeição, desenvolvendo e multiplicando e sua força e sentidos através de instrumentos e máquinas